domingo, 31 de julho de 2011

solo sêco e encrostado das nortadas

Olá a todos. Nem sempre as coisas são tão más como suportar as nortadas que últimamente  têm  fustigado a nossa cidade. Isso porque, lá na horta que é severamente afectada por esta nortada, o resultado é sempre um solo sêco e encrostado.
A parte boa, é que entretanto o poço já tem motor, protegido na sua casinha, e, uma torneira que simplifica a nossa tarefa da rega, que nos levava cerca de duas horas a fazer. Agora é de mangueira e a preocupação pela sua segurança, he he!!! Preocupação é também ver o nível da água do poço cada vez mais baixo. As casinhas das alfaias estão agora em operação, belas e funcionais, muito obrigado!
Bom  foi, ver também, o terreno todo limpo, se não, um pouco limpo de mais, quero dizer que a vala de água que queríamos preservar juntamente com a sua biodiversidade tenha sido pura e simolesmente atolada de terra e não se fala mais no assunto. Ressalvo no entanto, o que me parece ser um tanto vergonhoso, que é o pequeno curso de líquido malcheiroso que corre a céu aberto ali ao lado, e, a que não se pode chamar de água. Eis uma tarefa digna de um inspector, o de percorrer a extensão deste curso de "sugo" e, identificar quem  contribui para esta agressão ambiental, já para não falar da falta de conformidade.
Futuramente, e, pelo andar das coisas, muito em  breve, teremos o muro e a horta vedada e protegida, pelo que nos congratulamos e agradecemos, pois de uma maneira podemos pensar que as nossas culturas estão salvaguardadas. Esperemos que sim.. De todas as coisas que inicialmente foram apontadas como necessárias falta simplesmente um sanitário e assim sendo, continuaremos a desenrrascar-nos nos wcs da padaria.
Sobre a produção, ... tenho uns bocados de feijão verde a produzir umas vagens verdes e saborosas, e, olho atentamente a produção do melão e abóboras. Iniciei também uma plantação de sementes em alveolos que me parece ter bons resultados e aguardo a lua nova para prepara a sua plantação no terreno.
É tudo por hoje. Até breve.

sarraus e borrelhos

A bem dizer, não chove: o céu derrete-se. Silêncio. As terras baixas, atravessadas de regos e de valas onde a água repousa e apodrece, embebem-se ainda mais desta água peneirada que não cessa de cair. Ria cinzenta, céu cinzento, campos alagadiços e uma luz molhada que atravessa as nuvens pegajosas e envolve os seres e as coisas no mesmo tom casto e uniforme. Depois desta série de canais e de charcos estagnados e polidos, na planície baixinha feita com lodo extraído da ria, e com areais do outro lado, onde os sarraus e os borrelhos piam, sob um céu empastado e baixo, encontro-me diante de uma amplidão indefinida, onde a terra e a ria se confundem. Aqui o drama é o da humidade...as névoas têm na ria uma vida extraordinária: cada gota possui uma lama distinta e irisa-se como uma bola de sabão. De forma que não só as figuras se harmonizam com os fundos, mas a todo o momento e à minha vista a paisagem húmida se transforma e muda de aspecto: afasta-se, prolonga-se, não tem fim nem realidade.

A Ria de Aveiro de Raúl Brandão