Introdução
Nem sempre temos a capacidade de controlar certos aspectos das nossas vidas. O clima é um factor sobre o qual nenhum de nós tem qualquer domínio, podemos prever as condições climáticas com uma certa precisão mas não o podemos evitar. Para aqueles que estão mais atentos ao desenrolar dos acontecimentos relacionados com o clima a nível global, é impossível não notar que cada vez mais este muda, com casos extremos de surtos de calor e frio, grandes tempestades de chuvas torrenciais, incêndios, tornados, erupções vulcânicas, tudo acontece agora de uma maneira mais descontrolada, ou será que sempre foi assim, mas a aldeia global está agora tão interligada, que tudo se sabe mal a coisa acontece? Seja como for estamos à mercê dos elementos, a vida segue e continuamos a olhar a natureza.
Se falar do clima, é tema clássico para encaminhar uma qualquer conversa, já falar da economia é algo mais complicado. Digo isto porque este é um factor sobre o qual temos algum controlo embora que condicionado. Para uns e outros sempre atravessamos um período difícil economicamente falando. Hoje são as preocupações com o desemprego, o custo dos bens essenciais, e toda uma pressão económica, com demandas de maior produtividade e maiores ganhos. Para muitos esta é uma questão de sobrevivência. Mas a vida continua e nós continuamos olhando a Natureza.
Invariavelmente a saúde é um tema de conversa por excelência, daqueles mais usados para manter dois animados dedos de conversa. Não me parece que este seja um factor que cada um de nós possa deixar nas mãos de quem quer que seja. Temos que tomar conta da nossa saúde sem ela a vida torna-se bastante difícil. É pois aqui que começam os primeiros vislumbres de uma sociedade mais consciente. É aqui que temos de tomar a iniciativa e fazer algo de importante para nós e para as gerações vindouras. Todos nós temos a capacidade, e o dever, de olhar pelo meio e protegendo-o asseguraremos a saúde e o bem estar. Podemos lutar contra a poluição do ar, o efeito de estufa, evitar contaminações de água e solo e falar bem alto em relação aos abusos sobre a natureza. O cerco aperta-se e cada vez mais nos afastamos da natureza.
Vamos fazer então o quê? Vamos primeiro continuar a olhar para a Natureza, porque ela tudo revela, e se olharmos atentamente ela está sempre a dar-nos uma lição de vida. Podemos aperceber-nos de uma visão cíclica de todas as coisas,o dia segue a noite, as fases da lua repetem-se, as estações do ano marcam um compasso astral. Uma pequena semente espreita uma oportunidade, assim que as condições climáticas estão propícias ela germina, e inicia um maravilhoso percurso de vida. Primeiro duas folhas singelas num frágil caule e com um esforço imperceptível desenvolve um sistema radicular forte e capaz de fornecer toda a seiva necessária para crescer. Rapidamente com o passar dos dias dezenas de folhas formam uma planta robusta e em breve surgem as mais belas e coloridas flores. As abelhas visitam as flores e não tarda o pico do verão, as flores desenvolvem-se em pequenas cápsulas de sementes e a planta começa a perder o viço. Chega o fim do Outono e a planta exausta do seu percurso deixa cair as sementes ao solo. Completa assim um percurso cíclico maravilhoso, o da perpetuação da espécie. Uma bela lição de amor. É este o mistério da vida, a indubitável presença divina.
Na Natureza tudo é equilíbrio e todas as acções têm reflexos. Qualquer intervenção é capaz de provocar um desequilíbrio. As cadeias alimentares estão perfeitamente calibradas com o ajuste de milhões de anos. Toda a biodiversidade é perfeitamente ajustada até que o Homem, com toda a sua capacidade irracional para julgar o que é bom ou mau, decida interferir e alterando esta cadeia provoca um descontrolo neste delicado equilíbrio.
Os produtos químicos são nos dias de hoje usados indiscriminadamente e estão à disposição de qualquer um numa qualquer prateleira de supermercado. Olhamos para eles como uma solução para tantos problemas que nos surgem e com o seu uso continuamos a alterar o doce equilíbrio que a Natureza nos tenta proporcionar. Adubos para crescimento rápido, insecticidas, pesticidas e fungicidas são os principais responsáveis pela contaminação de produtos alimentares da contaminação dos solos e lençóis freáticos.
Estes produtos entram na cadeia alimentar dos animais e do homem, produtos considerados carcinógenos, metais pesados, todos eles nocivos ou tóxicos e prejudiciais ao ser humano e sua saúde.
O valor de um produto agrícola pode ser visto de uma perspectiva completamente diferente quando existe nele a certeza de não conter agrotóxicos.
O valor de um produto biológico não é só o tempo que ele leva a produzir, é conhecer a sua origem, é porventura o fruto do próprio trabalho, conhecer a frescura do produto do seu sabor mais apurado e da sua boa qualidade.
O que é um produto orgânico?
Falar de agricultura orgânica é o mesmo que falar de agricultura biológica, e, quer dizer simplesmente que é a produção de um alimento sem o recurso a fertilizantes ou pesticidas.
A agricultura biológica não recorre a organismos geneticamente modificados. A agricultura biológica é uma actividade de base holística e o ênfase está no solo, onde um solo saudável é sinónimo de alimentos de qualidade superior. Esta actividade diz não ao uso de produtos agrotóxicos, que são os produtos que se fixam tanto no homem como nos animais, diz não a produtos reguladores do crescimento (hormonas). A agricultura biológica tem como base o uso de estrumes de animais, a rotação das culturas, a adubação verde, a compostagem, o controlo biológico de pragas e doenças a manutenção das estruturas do solo e do desenvolvimento sustentável.
Introdução
O mundo corre a uma velocidade cada vez maior. O homem faz máquinas para acelerar a produção e reduzir custos, em detrimento da qualidade benéfica do alimento, beneficiando da situação consumidor/produtor capitalista. Os resultados provam agora ser maus para a qualidade de vida das populações. O movimento orgânico/biológico está dependente da tecnologia, não exclui a produção sustentável conservando o ambiente, tornando-se independente do uso de combustíveis fosseis usando os biocombustíveis, promovendo a reciclagem e a compostagem, respeitando o solo o ar e a biodiversidade.
A produção biológica é vista como um radicalismo, como um retrocesso da sociedade.
A produção biológica assenta no respeito por todas as formas de vida - (budismo)
É a favor dos proveitos económicos, do aumento dos ganhos de famílias pobres e pela independência de produtos químicos.
Promove a protecção do solo contra a erosão e a lixiviação e protege os rios.
O movimento é a favor de um mundo melhor, uma vida melhor e com melhor qualidade de vida.
Acredita na sustentabilidade do ambiente.
Características
A produção biológica respeita o equilíbrio da natureza advogando o uso de adubação verde e o controlo biológico de pragas.
Estende-se à pecuária dizendo não ao uso de remédios, de hormonas, na ausência de produtos químicos na alimentação do gado.
Desprezo pela indústria química.
Tolerância da indústria mecânica, energética e logística.
Expansão do conceito biológico a outras esferas de produção, como por exemplo a fibra de algodão e da produção da cana de açúcar.
Reconhecimento de um profundo desconhecimento da microflora onde 95% dos organismos no solo são desconhecidos, e, sabendo-se que esta micro actividade facilita a disponibilização de nutrientes no solo, é imperativo que o meio microbiótico seja mais profundamente investigado.
Solo - A produção biológica demora tempo a estabelecer-se, aproximadamente dois anos. Esta situação acontece porque o meio é sujeito a grandes pressões por acção do Homem, o solo e os recursos hídricos são contaminados por produtos nocivos e o equilíbrio é alterado. Um produto só é certificado biológico, quando não apresenta factores poluentes.
Sustentabilidade - Este é um conceito segundo o qual o uso dos recursos naturais para satisfação de necessidades presentes, não compromete as necessidades das gerações futuras. A sustentabilidade é um projecto a longo prazo, onde o utilizador protege o meio usando métodos ecologicamente correctos. Esta actividade tem que ser economicamente viável, pela utilização dimensionada aos fins a que se destina, socialmente justo e culturalmente diverso.
O SOLO
O solo é um corpo natural, sujeito a uma evolução resultante da acção conjunta do clima, e, dos seres vivos, sobre as rochas, durante um período de tempo. É no solo que a matéria orgânica se transforma em matéria mineral por acção dos decompositores. O solo é a base das cadeias alimentares e sendo nele que o coberto vegetal se instala é responsável pela renovação do oxigénio.
O solo forma-se por degradação da rocha sobre influencias várias. A actuação directa do gelo e da água juntamente com mudanças de temperatura causam o desprendimento da rocha da sua matriz. Posteriormente as faces das rochas são enriquecidas com matérias orgânicas, primeiro os organismos pioneiros e depois um gradual aumento de biodiversidade contribuem para o aumento da fixação do coberto vegetal sobre a rocha.
Com o aumento da actividade vegetal e animal, estabelece-se uma camada superior de húmus, também chamada manta morta. Pela acção das chuvas, o movimento das águas para o interior do solo (meteorização) causa uma lixiviação (lavagem dos principais produtos solúveis) iniciando assim a mineralização da matéria orgânica.
Composição - O solo é composto por matéria orgânica, matéria mineral, ar e água. Sendo a matéria vegetal o húmus, resíduos vegetais em decomposição, a matéria mineral composta por areias de granulometria variada, ou silte, areias de partículas muito pequenas. A água no solo associa-se à matéria orgânica ou à matéria mineral por exemplo a argila. Todas as partículas do solo são separadas umas das outras e os espaços entre essas partículas (interstícios) são ocupados pelo ar.
Matéria mineral -
A areia - É uma matéria, permeável e tem uma grande mobilidade. Tem pouca capacidade de retenção de água ou nutrientes.
A argila - É uma matéria pouco permeável de grande capacidade plástica e de forte capacidade de retenção de água e de nutrientes. Tem uma grande afinidade com o húmus.
Matéria orgânica - Tem um elevado poder de retenção de água, é onde se encontram os nutrientes e se estabelece a acção microbiológica. A matéria orgânica melhora a constituição do solo.
O ar - É importante para a germinação das sementes e para a respiração das raízes. Os organismos do solo necessitam de ar para a sua actividade. O ar aquece o solo
A água - Serve de alimento para as plantas e fornece o Hidrogénio. 80% de uma planta é água. A água dissolve e mobiliza os nutrientes.
Classificação dos solos
Em relação à textura um solo pode ser:
Arenoso - Quando 80 a 90% do solo é areia
Argiloso - Onde mais de 30% do solo é argila.
Solo Franco - Onde mais de 50% é silte.
Propriedades
Solo coeso - Quando as partículas permanecem aglomeradas - solo necessita mais matéria orgânica na sua composição.
Solo com tenacidade - Quando o solo oferece grande resistência a alfaias.
Plasticidade do solo - Quando o solo permanece coeso e tem capacidade para ser moldado.
Adesividade do solo - Quando o solo se agarra com insistência ás alfaias.
Permeabilidade - Capacidade de permitir que a água se infiltre com relativa facilidade.
Capilaridade - Propriedade do solo onde a água contida no solo se movimenta pelos interstícios em direcção à superfície do solo.
O solo é a base da agricultura biológica e é um recurso finito.
A formação de trinta centímetros de solo pode demorar a acumular-se entre mil e dez mil anos.
Um grama de solo em boas condições pode conter 600 milhões de bactérias.
A actividade biológica do solo depende da matéria orgânica que a decompõe e assim contribui para a fertilidade e manutenção da estrutura do solo. A matéria orgânica melhora a infiltração e retenção da água aumentando a capacidade de trocas químicas (lixiviação) e com isso aumenta a produtividade do solo.
A Protecção do solo
As variadas pressões da intervenção humana sobre o solo causam um elevado número de problemas muitas vezes de difícil, impossível ou dispendiosa resolução, pelo que se apresenta uma melhor solução um rigoroso controle na prevenção dessas ocorrências.
É necessário prevenir a todo o custo a contaminação dos solos com metais pesados, pois estes elementos entram facilmente nas cadeias alimentares dos animais e do Homem causando graves problemas de saúde.
A impermeabilização do solo é um problema nas grandes urbes e contribui de uma maneira muito significante na destabilização das estruturas do solo tendo como efeito primário a diminuição dos níveis freáticos e consequentes problemas com a salinização do solo especialmente no litoral.
A compactação dos solos por excessivo uso da superfície faz com que o solo deixe de ser permeável contribuindo para maior probabilidade de inundações e aumenta a erosão do solo.
Por Afonso Sousa (Maio 2011)
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